clarissa querida,

desculpe-me pela demora em escrever. por muito tempo não tive apreço pelas palavras, mas seu bilhete me assobiou verbos.

não vi tantas paisagens aqui na africa, embora todas as vistas sejam paisagem. criei grande desenvoltura com números e fiz alguns amigos, sem querer. acredito que simpatizam com minha sorte. outro dia fui batizado no solo deste continente, acredite, por ter aprovado um micro negócio de geléias de maçã. achei curioso maçãs na africa e a mãe da moça, dona do negócio que felizmente prospera, realizou uma pequena festa de agradecimento.

nunca me faltam geléias de maçã.

desde então, as pessoas tem me sido boas. ou já estavam sendo, mas eu não havia percebido. estou pegando a mania, percebo, de falar do passado com concordâncias de presente do indicativo. as pessoas aqui contam muitas histórias, mas é o ritmo que me atrai. nele se vê as marcas dos tempos que se renovam. aqui não há esperança porque tudo já é.

a noite está fechando meus olhos. volto a escrever quando o papel brilhar um pouco mais.

(em resposta a “qualquer paixão me diverte“)

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